As manifestações populares tradicionais brasileiras encontraram na tecnologia digital das redes uma forte aliada para a sua preservação e divulgação. Com a possibilidade de armazenamento e acesso a ativos digitais como áudio, imagem e vídeos, essas manifestações espantaram os fantasmas do desaparecimento e do esquecimento.
Esses temores foram até imortalizados em letra de música: “Não deixe o samba morrer”, de 1975, interpretada por Alcione, que canta “Não deixe o samba morrer/Não deixe o samba acabar/O morro foi feito de samba/De samba pra gente sambar”.
Também é necessário ressaltar que as expressões culturais populares estão em processo de revitalização, conquistando reconhecimento e sendo revalorizadas na sociedade que está entendendo a importância de frear o processo de homogeneização cultural introduzido pela globalização.
Entretanto, fico inquieto com uma questão. As manifestações tradicionais da cultura sempre utilizaram os elementos do seu meio para se estruturarem. Da natureza retiram o material necessário para a sua concepção, expressão visual, sons e movimentos. Mas quando utilizam softwares em algumas partes desse processo, que têm embarcado uma lógica própria, essas manifestações tradicionais da cultura incorporam elementos estranhos a sua origem.
23 de out. de 2008
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